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Dra. Colette Camara Omotosho – Ginecologia Clínica e Metabolismo Feminino em Guará I – Brasília

A vaginose citolítica é uma alteração da flora vaginal que pode causar sintomas semelhantes aos de uma candidíase, como coceira, ardência, vermelhidão e aumento do corrimento vaginal. Por isso, muitas mulheres acabam utilizando medicamentos para candidíase sem melhora dos sintomas.

Mas o que é a vaginose citolítica? Essa condição está relacionada ao crescimento excessivo de lactobacilos na vagina, que pode levar à quebra das células vaginais e à alteração do equilíbrio do ambiente vaginal.

Sobre a médica

Sou a Dra. Colette Omotosho, médica formada pela Universidade de Brasília (UnB), com atuação em ginecologia e saúde da mulher.

No consultório, realizo uma avaliação individualizada de mulheres com corrimento, coceira, ardência e desconforto vaginal, especialmente quando os sintomas são recorrentes ou persistem apesar de tratamentos anteriores.

Na investigação da vaginose citolítica, a avaliação clínica pode ser associada à análise do pH vaginal e à microscopia da secreção, permitindo observar características da microbiota, como predominância de lactobacilos e citólise, além de auxiliar no diagnóstico diferencial com candidíase e outras condições vaginais.

Meu objetivo é identificar a possível causa dos sintomas antes de definir a conduta, evitando tratamentos repetitivos sem um diagnóstico adequado.

Nem toda coceira é candidíase. Investigar corretamente é o primeiro passo para cuidar da saúde vaginal.

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Depoimentos — Dra. Colette Camara Omotosho

Depoimentos

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O que é vaginose citolítica?

A vaginose citolítica acontece quando existe uma quantidade elevada de lactobacilos, principalmente espécies produtoras de ácido, levando a uma redução excessiva do pH vaginal.

Os lactobacilos normalmente fazem parte da microbiota vaginal saudável. Porém, quando há um desequilíbrio, o excesso dessas bactérias pode provocar sintomas.

Por isso, nem todo corrimento ou coceira vaginal significa candidíase.

Profissional analisando lâmina de secreção vaginal ao microscópio para investigação de vaginose citolítica.
Vaginose citolítica pode apresentar sintomas semelhantes aos da candidíase. A avaliação da secreção vaginal, do pH e da microbiota auxilia no diagnóstico diferencial.

Quais são os sintomas da vaginose citolítica?

Os sintomas podem variar, mas os mais comuns incluem:

  • Coceira vaginal;
  • Ardência ou desconforto;
  • Vermelhidão na região vulvar;
  • Corrimento vaginal branco;
  • Sensação de irritação vaginal;
  • Desconforto durante a relação sexual;
  • Sintomas que podem piorar em determinados períodos do ciclo menstrual.

A semelhança com a candidíase é justamente um dos motivos pelos quais o diagnóstico pode ser confundido.

Microscopia com coloração de Gram mostrando lactobacilos abundantes, citólise, núcleos desnudos e debris celulares na vaginose
Na microscopia e na coloração de Gram, a vaginose citolítica pode apresentar abundância de lactobacilos, citólise das células epiteliais, núcleos desnudos e debris celulares.

Vaginose citolítica ou candidíase?

Essa é uma dúvida muito comum.

Na candidíase vaginal, os sintomas geralmente estão relacionados à presença excessiva de fungos, principalmente Candida. Já na vaginose citolítica, o problema está associado ao excesso de lactobacilos e à citólise, que é a destruição das células vaginais.

Por isso, utilizar repetidamente medicamentos antifúngicos quando não existe candidíase pode não resolver os sintomas.

Vaginose citolítica x vaginose bacteriana

Apesar dos nomes semelhantes, são situações diferentes.

Na vaginose bacteriana, ocorre uma alteração da microbiota com redução dos lactobacilos e aumento de bactérias associadas à vaginose. O pH geralmente fica acima de 4,5 e podem aparecer clue cells na microscopia.

Na vaginose citolítica, observa-se abundância de lactobacilos, citólise e pH mais ácido.

Essa diferença é fundamental porque o tratamento de uma condição não deve ser automaticamente utilizado para outra.

Lâmina de secreção vaginal segurada com luvas diante de microscópio para análise da microbiota vaginal.
A análise microscópica da secreção vaginal permite observar características da microbiota que ajudam a diferenciar diferentes causas de corrimento, coceira e ardência

Como é feito o diagnóstico vaginose citolítica?

O diagnóstico deve considerar os sintomas, o exame ginecológico e, quando indicado, a avaliação do conteúdo vaginal.

A microscopia vaginal pode ajudar a identificar o padrão da microbiota, observar a quantidade de lactobacilos, alterações nas células vaginais e outros achados que ajudam a diferenciar a vaginose citolítica de outras causas de corrimento e irritação.

Essa avaliação é importante porque diferentes condições podem apresentar sintomas muito parecidos.

Qual é o pH da vaginose citolítica?

O pH vaginal é uma informação muito útil no diagnóstico diferencial das vaginites.

Na vaginose citolítica, costuma-se encontrar um ambiente vaginal bastante ácido, tradicionalmente descrito em torno de 3,5 a 4,5.

Isso ajuda a diferenciá-la da vaginose bacteriana, na qual o pH vaginal geralmente está acima de 4,5.

Mas o pH isoladamente não fecha o diagnóstico.

Ele precisa ser interpretado juntamente com os sintomas, exame ginecológico e achados microscópicos.

Por que algumas mulheres tratam candidíase várias vezes e não melhoram?

Porque sintomas vaginais não são exclusivos da candidíase.

Coceira, ardência e corrimento podem ocorrer em diferentes condições.

Quando uma mulher utiliza antifúngicos repetidamente sem confirmação diagnóstica, pode acontecer de o verdadeiro problema não ser causado por Candida.

Entre os diagnósticos diferenciais estão vaginose citolítica, vaginose bacteriana, tricomoníase, vaginite aeróbica, vaginite inflamatória descamativa, dermatites vulvares e outras condições ginecológicas.

É justamente nesses casos que a microscopia da secreção vaginal e a avaliação do pH podem ser particularmente úteis.

Como tratar a vaginose citolítica?

O tratamento depende da avaliação médica e deve ser individualizado.

Como a vaginose citolítica está relacionada a um excesso de lactobacilos e à acidez vaginal, a abordagem pode ser diferente daquela utilizada para tratar uma candidíase.

Por isso, antes de iniciar tratamentos repetidos para fungos, é importante confirmar qual alteração está realmente presente.

Vaginose citolítica tem cura?

Sim. Com a identificação correta da causa dos sintomas e o tratamento adequado, é possível controlar a condição e melhorar o desconforto vaginal.

Se os sintomas persistem ou voltam frequentemente, é importante investigar outras possíveis causas, em vez de simplesmente repetir o mesmo tratamento.

Quando procurar uma ginecologista?

Se você apresenta coceira, ardência, corrimento ou irritação vaginal recorrente, principalmente quando os tratamentos para candidíase não funcionam, vale a pena realizar uma avaliação ginecológica.

A vagina possui uma microbiota própria e nem toda alteração vaginal é uma infecção. Identificar o que está acontecendo é o primeiro passo para escolher o tratamento adequado.

Importante: sintomas vaginais podem ter várias causas. O diagnóstico da vaginose citolítica deve ser feito por um profissional de saúde após avaliação clínica e, quando necessário, exames complementares.

Conclusão

A vaginose citolítica ainda é uma condição pouco conhecida e pode ser facilmente confundida com candidíase, principalmente porque sintomas como coceira, ardência, desconforto e corrimento esbranquiçado podem estar presentes nas duas situações.

Quando esses sintomas se repetem ou não melhoram após tratamentos para candidíase, é importante evitar a automedicação e buscar uma investigação mais detalhada. A avaliação clínica associada ao pH vaginal, à microscopia da secreção e, quando indicado, à coloração de Gram pode ajudar a identificar alterações da microbiota e direcionar o tratamento adequado.

Nem toda coceira é candidíase. Um diagnóstico preciso evita tratamentos desnecessários e permite cuidar da saúde vaginal de forma individualizada.

Nem toda coceira vaginal é candidíase. Quando os sintomas são recorrentes ou não melhoram com antifúngicos, outras causas precisam ser investigadas

LINKS:

página de Vaginite:

Página de Microscopia a fresco


Mais informações: Manual MSD

Pubmed.Ncbi.NIm.Nih

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